Por Dra. Larissa Schueng · Revisão: Dra. Larissa Schueng · 20/10/2026
Você pode deixar de gostar de um resultado. Isso merece escuta. Mas quando a conversa vira “dissolve tudo e começa de novo”, eu faço uma pausa. Minha posição é que a reversão não deveria ser tratada como um botão de desfazer ou como a próxima tendência. Primeiro, precisamos identificar o material, entender o incômodo e separar preferência estética de possível complicação.
01 / CONTEXTO
Nem todo material responde à mesma solução
A hialuronidase pode degradar preenchimentos de ácido hialurônico. A diretriz de Murray e colaboradores discute seu uso na prática estética [1]. Ela não é uma solução universal para PMMA ou para todos os bioestimuladores.
“Tenho preenchimento” ainda é informação insuficiente. Quero conhecer produto, região, datas e motivo da aplicação. Quando esses dados faltam, a investigação deve considerar essa incerteza. Não seria responsável prometer reversão sem saber o que foi utilizado. A decisão pode exigir registros anteriores ou avaliação complementar por profissional habilitado, conforme o caso, antes de escolher uma intervenção.
02 / ESCOLHAS
Insatisfação e complicação são conversas diferentes
Uma paciente pode querer menos volume, perceber assimetria ou sentir que o resultado não combina mais com ela. Essas queixas merecem avaliação. Outra situação é a presença de sinais que sugerem uma intercorrência e exigem atendimento imediato.
Dor intensa ou incomum, alteração da cor da pele ou mudança visual durante ou após preenchimento não devem esperar uma consulta estética de rotina. A FDA orienta procurar atendimento imediato diante desses sinais [2]. Eu não transformaria uma suspeita de complicação em discussão de tendência. A prioridade passa a ser assistência, com avaliação adequada e encaminhamento quando necessário.

03 / CRITÉRIO
Reverter também tem riscos e limites
A diretriz sobre hialuronidase considera o histórico de alergias e reações anteriores relevante para o uso seguro [1]. Não existe razão para tratar a aplicação como um gesto banal. Dissolver uma parte específica do material pode exigir decisões e reavaliações; a expectativa de controle perfeito precisa ser discutida.
A FDA ressalta que remover materiais pode ser difícil ou impossível e que a remoção tem riscos próprios [2]. Mesmo quando há possibilidade de redução, o rosto pode ter mudado com o tempo. Retirar um produto não garante recuperar exatamente a aparência de anos atrás. Precisamos combinar o objetivo atual, em vez de prometer um retorno completo ao passado.
TRECHO DA FONTE
“Esses procedimentos têm seus próprios riscos.”
FDA, seção sobre remoção de preenchimentos [2]. Tradução livre.
COMO ISSO SE APLICA
A frase se refere às intervenções para remover ou reduzir preenchimentos. Ela reforça que reversão também exige decisão informada. A diretriz de hialuronidase [1] se dirige ao ácido hialurônico, e não autoriza presumir reversibilidade de qualquer material.
04 / NA AVALIAÇÃO
O que levar antes de decidir
Traga registros de aplicação, nomes dos produtos, datas e fotos anteriores. Explique desde quando existe a insatisfação e o que gostaria de modificar. Se houver sintomas, conte quando começaram e como evoluíram. Esses dados têm mais valor do que chegar decidida a “zerar o rosto”.
Sou a favor de corrigir o que precisa ser corrigido com justificativa clara. Sou contra indicar dissolução total sem avaliar o caso. A proposta pode envolver acompanhamento, redução do material ou outro caminho, conforme avaliação habilitada. Quero que você entenda as alternativas e os limites antes de escolher, sem substituir uma pressão para preencher por outra pressão para desfazer.
Rever um resultado pode ser necessário e legítimo. Quero que essa decisão comece pelo material, pela razão do incômodo e pela segurança. “Dissolver tudo” não deveria ser uma resposta pronta para situações diferentes.
Leve à avaliação o histórico e os registros dos produtos utilizados.
FONTES E LEITURA ORIGINAL
[1] Murray G et al. Guideline for the Safe Use of Hyaluronidase in Aesthetic Medicine. J Clin Aesthet Dermatol, 2021. Diretriz de especialistas.
[2] FDA. Dermal Fillers (Soft Tissue Fillers). Seções sobre remoção, riscos e sinais de alerta.
Fontes consultadas em 10/10/2026. Conteúdo informativo; indicação e resultados são individuais.
Dra. Larissa Schueng
Biomédica (Multivix) e enfermeira (UFES).
Pós-graduação em Enfermagem Estética (Nepuga).
Formação complementar em harmonização facial e estética regenerativa.



