Por Dra. Larissa Schueng · Revisão: Dra. Larissa Schueng · 20/10/2026
A base que você gostava agora destaca linhas, pequenas áreas ásperas ou descamação. É tentador procurar mais cobertura. Eu começaria por outra pergunta: como está sua pele antes da maquiagem? O acabamento pode ser influenciado pelos produtos, pela aplicação e pelas condições da pele. Uma base que marca não é, sozinha, um diagnóstico de envelhecimento.
01 / CONTEXTO
Observe a pele sem cobertura
Há repuxamento, ardência ou descamação? Você começou a usar ácidos, esfoliantes ou vários produtos ao mesmo tempo? A sequência dessas mudanças pode ajudar a organizar a investigação. Quero saber se o problema aparece em todo o rosto ou apenas em algumas áreas, e se existe mesmo quando você está sem maquiagem.
Textura pode envolver ressecamento, poros, cicatrizes ou uma condição dermatológica. Essas situações não pedem necessariamente o mesmo cuidado. Na orientação da AAD, pele persistentemente ressecada pode precisar de avaliação dermatológica [1]. Fotografar os produtos e explicar quando cada um começou costuma ser mais útil do que chegar com uma lista de novos tratamentos.
02 / ESCOLHAS
O básico precisa funcionar
Quando há ressecamento, limpeza suave, hidratação adequada e proteção solar merecem atenção. A AAD recomenda produtos suaves e sem fragrância para pele seca e sensível [1]. A rotina precisa respeitar sua tolerância; um produto bem avaliado pode não ser adequado para você.
Eu também revisaria quantidade de base, aplicação, tempo entre camadas e combinações usadas no mesmo dia. Não transformaria essa revisão em uma receita universal. O objetivo é entender se o acabamento muda quando a rotina se torna mais simples e compatível com a pele. Persistência de ardência, fissuras ou inflamação pede avaliação, antes de discutir uma intervenção estética.
01
Necessidade
02
Evidência
03
Escolha

03 / CRITÉRIO
Esfoliar mais pode não ser o caminho
Quando a maquiagem evidencia aspereza, muitas pessoas pensam em intensificar a esfoliação. Eu não tomaria essa decisão pela aparência da base. Uma pele irritada precisa ter a causa esclarecida; acrescentar estímulos sem essa leitura pode dificultar a conversa sobre o que está acontecendo.
É importante separar uma queixa de acabamento de uma indicação de procedimento. Microagulhamento, por exemplo, tem usos específicos e riscos próprios. A FDA relata possíveis efeitos como vermelhidão, descamação, alterações de pigmentação e infecção [2]. Não é um recurso que deveria ser escolhido apenas porque alguém disse que ele deixa qualquer pele lisa.
TRECHO DA FONTE
“Produtos de cuidado da pele suaves e sem fragrância.”
American Academy of Dermatology (AAD), orientações para pele seca [1]. Tradução livre.
COMO ISSO SE APLICA
A recomendação se dirige ao cuidado da pele seca e sensível. Ela não demonstra que todo acabamento irregular da maquiagem decorra de ressecamento. Por isso, uso a orientação como ponto de revisão da rotina, e não como diagnóstico pela internet.
04 / NA AVALIAÇÃO
Quando um tratamento pode fazer sentido
Se a rotina estiver ajustada e a queixa persistir, podemos avaliar o que realmente precisa ser tratado e se está dentro da atuação estética. Cicatriz, linha fina e ressecamento não são sinônimos. A indicação depende da alteração identificada, das condições da pele e da segurança da proposta.
Na avaliação, traga os produtos que usa, inclusive aqueles aplicados só de vez em quando. Leve uma foto sem filtro da situação que incomoda e conte como é sua rotina de trabalho e exposição solar. Quero um cuidado que você consiga seguir. Comprar mais itens ou fazer um procedimento não deve substituir a identificação do problema.
Minha prioridade seria entender a pele que está por baixo da maquiagem. Se houver uma condição dermatológica, ela vem primeiro. Quando existe indicação estética, o tratamento precisa ter um objetivo específico, compatível com sua rotina.
Vamos avaliar sua pele e os produtos que fazem parte do seu dia.
FONTES E LEITURA ORIGINAL
[1] AAD. Dermatologists’ top tips for relieving dry skin. Orientação revisada por dermatologistas.
[2] FDA. Microneedling Devices. Indicações avaliadas e riscos dos dispositivos.
Fontes consultadas em 10/10/2026. Conteúdo informativo; indicação e resultados são individuais.
Dra. Larissa Schueng
Biomédica (Multivix) e enfermeira (UFES).
Pós-graduação em Enfermagem Estética (Nepuga).
Formação complementar em harmonização facial e estética regenerativa.



